terça-feira, 23 de abril de 2013

Dia Mundial do Livro e dos Direitos dos Autores

Hoje é celebrado o Dia Mundial do Livro e dos Direitos dos Autores. O dia fica marcado por algumas iniciativas que visam promover a leitura e infelizmente também pela polémica entre a editora Saída de Emergência (SdE) e o banco Caixa Geral de Depósitos (CGD). Grosso modo a SdE tinha programada uma colaboração com a CGD, uma parceria em que a segunda distribuiria os livros da primeira nos seus balcões, mas que foi cancelada porque "alguns livros continham linguagem com potencial de ferir a susceptibilidade de alguns clientes, não os considerando adequados ao posicionamento e imagem do banco". Mas o que é isto de "ferir a susceptibilidade"? Mas os bons livros não fazem precisamente isso? Não nos agitam e fazem pensar? Que seria do mundo sem os livros que nos emocionam, que nos escandalizam e nos revoltam? Os bons livros são outras realidades, outras perspectivas, outras pessoas. São tudo o que fui, sou e serei e o que nunca alcançarei ser. São outras   realidades que não a minha. Os livros são o que foi, o que é, o que será e a imaginação do que nunca existirá. Defender os livros, mesmo os de que não gostamos, é defender o meu ponto de vista, mas também o teu e o dele, o nosso e o vosso e claro o deles, é defender o Mundo, pois se hoje atacam o deles amanhã será o meu. Pois vamos ler livros obscenos e que escandalizem, que façam rir e chorar, que entretenham e façam pensar, vamos defender o Livro pois ele somos todos nós e nós ele. Vamos ler pois ler é compreender e compreender é conhecer e conhecer é viver, vamos ler.

segunda-feira, 15 de abril de 2013

Manuel Alves - O Veredicto Inicial

Não, não é mais um trabalho do Manuel, este é o tal apanhado que referi no post Promoção da semana, embora tenha de confessar que o titulo tenha sido influenciado por um comentário seu no Forum Bang.

Para mim o fascinante desta experiência, mais do que dar a minha opinião sobre a ainda breve (espero eu) obra do Manuel Alves, foi observar o seu potencial. O Manuel mostrou que, apesar do caminho que ainda tem de percorrer, já dispõem das ferramentas para o fazer e isso ninguém lhe poderá tirar. Demonstrou que tem não só o talento, mas também a vontade e isso é dizer muito sobre o autor que o Manuel é.
Como ficou patente nas minhas opiniões a sua escrita e ideias agradam-me e tenho a certeza que agradaram a muitos mais. Ao que já disse gostaria de acrescentar apenas um conselho. Sou dá opinião que deves tentar editar os teus trabalhos através das editoras "convencionais", não pela mera visibilidade que isso traria, pois com a internet isso é bastante relativo, mas porque (acho) que beneficiarias de ter o teu trabalho avaliado por um (bom) editor que te se soubesse "guiar" e te fizesse crescer ainda mais, e até acho que já tens um bom livro para esse efeito: "A Invenção de um conto de Fadas", embora tenha a certeza que mais estão a caminho.

Manuel sei que já o sabes, assim como quem lê este blog, mas digo-o na mesma: tens aqui um apreciador do teu trabalho e que irei continuar a acompanhar.

Foram sete dias algo cansativos, mas que valeram a pena, não só por ter apoiado e divulgado uma autor Português, mas acima de tudo por ser um autor que o merece. 

domingo, 14 de abril de 2013

Opinião - Perguntas-me? de Manuel Alves


Depois da surpresa que foi "A Invenção de um conto de Fadas", este livro voltou a surpreender-me com outra faceta do seu autor, a faceta de um (quase) poeta, embora já tivesse notado um pouco isso no livro supracitado.

Constituído por quarenta e seis micro e pequenas narrativas (e um poema), todos começam com uma pergunta, dai o titulo do livro, que pode ou não ser respondida, mas as resposta aqui não são o que interessa, o que realmente interessa é perguntar, questionar. Escrito num estilo que se pode chamar de poesia em prosa ou prosa poética, pois apesar da estrutura formal ser em prosa a verdade é que muitas vezes as palavras não só rimam como parecem ter um cadencia (quase) musical, como se estivéssemos  verdadeiramente a ler poesia, dando um toque muito interessante à leitura. Outro aspecto que enriquece o livro são os desenhos em aguarelas do próprio autor, simples, mas de uma beleza inquestionável e que me dão a vontade de ter o livro impresso para o poder admirar não são pela beleza do texto, mas também enquanto objecto de arte.
Pode ser lido de um fôlego ou ir saboreando um capitulo por dia. É em  muitos momentos uma narrativa emocional, noutros dá que pensar ou "apenas" que sentir.
É um livro que muitos leitores não serão capazes de apreciar, haverá quem não se identifique com o tipo de escrita ou as temáticas, nem é para todos os momentos, mas os que conseguirem apreciar   saíram enriquecidos.


Este livro (e-book) pode ser encontrado no site Smashwords neste link: Perguntas-me? de Manuel Alves

sábado, 13 de abril de 2013

Opinião - A Invenção de um conto de Fadas de Manuel Alves


Este foi um livro do qual eu não estava à espera. Em primeiro porque depois de ter lido os contos do Manuel, que estão inseridos nos géneros de Ficção Científica e Fantasia, nada fazia crer que ele mudasse "repentinamente" de registo, portanto passei as primeiras paginas a tentar encontrar algo de Fantástico e a minha busca não foi infrutífera pois encontrei o quanto a nossa vida do dia-a-dia pode ser Fantástica. Em segundo lugar não estava à espera de me ligar tanto à história e aos seus personagens. Com eles eu ri e (quase) chorei, zanguei-me e perdoei, apaixonei-me e odiei, com eles eu vivi. Citando o livro:

...pessoas inventadas, que pareciam tão nascidas em carne e osso como qualquer outra pessoa real. (página 136 do e-book em formato epub)

Esta frase resume bem o que senti ao longo do livro. As personagens não eram de papel, mas pessoas que eu queria conhecer, pessoas que eu compreendia e que queria ajudar. Elas eram eu e eu  era elas, nos problemas e nas alegrias, nos dilemas e fantasias. A história até pode ser considerada banal, pois é igual à do nosso vizinho, primo, e claro a nossa, mas existe neste realismo algo de fantástico, eu sei que parece que me contradigo. Fala de pessoas exactamente como eu e o caro leitor que está desse lado, mas por isso eu consigo ficar distante, enquanto observador e ao mesmo tempo estar lá a sentir a dor e o prazer, a angustia e satisfação.
Uma magnifica história que muito prazer me deu ler, mas acima de tudo sentir.


Este Romance pode ser encontrado no site Smashwords neste link: A Invenção de um conto de Fadas de Manuel Alves

sexta-feira, 12 de abril de 2013

Opinião - Orin de Manuel Alves


A história narrada por Manuel Alves neste Orin podia muito bem ser a Mitológica sobre a  criação do mundo de um qualquer povo deste planeta. Conhecemos Orin um Deus que é o Inicio e o Fim, e que à medida que vai pensando e agindo vai aprendendo o que já sabe, mas ainda não descobriu, eu sei que parece confuso, mas o autor explica melhor do que eu.

O problema é que apesar de bem escrito, como é apanágio deste autor, e de algumas boas ideias e momentos, no geral é aborrecido. A razão é a repetição da fórmula que Orin nada sabe, mas ao mesmo tempo tudo sabe à medida que vai pensando/descobrindo. Apesar de interessante ao inicio acaba por, inevitavelmente, se tornar repetitivo e monótono. É uma leitura que vale pela escrita e ideias, mas apenas aos que gostam de histórias de e sobre Mitologia. 


Este conto pode ser encontrado no Smashwords neste link Orin de Manuel Alves

quinta-feira, 11 de abril de 2013

Opinião - A Linha Recta do Corvo de Manuel Alves

Sinopse:
 Lince teria uma vida relativamente despreocupada se não fosse a pequena questão de ser perseguido por assassinos, e tudo só porque chateou certas pessoas por ter testemunhado algo que não devia. Felizmente, os corvos avisavam Lince sempre que um assassino se aproximava. Infelizmente, os corvos não o ajudavam a escapar. Uma boa maneira de matar um assassino é tornar-se um assassino melhor. Pelo menos, foi o que Lince pensou. 

É assim que o que o autor dá a conhecer esta sua pérola, um conto que eu simplesmente adorei. Como quem vai ao alfaiate fazer um fato à medida, também esta história parece ter sido escrita à medida do meu gosto. Boa parte da culpa é do humor que percorre de fio a pavio o conto, com boas doses de ironia e sarcasmos exactamente como eu gosto. O uso que faz de uma analepse, ao invés de uma narrativa contínua, potenciam a curiosidade. É uma daquelas histórias em que temos vontade de saber mais, mas a ser feita essa minha vontade e quem sabe de outros, isso só estragaria, e eu pessoalmente prefiro um bom conto a um "calhamaço" medíocre, embora o raio do mas não me largue...

Este conto pode ser encontrado no site Smashwords neste link: A Linha Recta do Corvo de Manuel Alves

quarta-feira, 10 de abril de 2013

Opinião - Coração Atómico de Manuel Alves



Coração Atómico é uma história de Ficção Científica inserida no sub-género de Steampunk. Nela vamos conhecer dois robôs chamados Momo (o Macho por assim dizer) e Nini (a Fêmea), que apesar de ainda não estarem fisicamente completos, o seu intelecto é equivalente ao de uma pessoa. O leitor "entra" na narrativa quando o seu Criador está quase a termina-los, mas são apanhados no meio de uma  Revolução, pois podem ser o "peso" a fazer pender a balança a favor de um dos lados.

Este conto de História Alternativa é como uma "fotografia" de um momento e é esse (possivelmente) o seu maior "problema". Tal como numa foto em que apenas nos é mostrado um instante, também aqui não nos é explicado o como e o porquê, sabemos apenas o que a "fotografia" nos mostra. Tudo o que levou àquele instante em que o "fotografo tirou a foto" é-nos vedado. Ora isto pode desiludir alguns leitores que estão à espera de saber mais.

Gostei que o autor tenha aflorado (algumas) interessantes questões Filosóficas que envolvem Momo e Nini, mas mais uma vez existem apenas perguntas e (quase) nada de respostas, mas tendo em consideração que estamos a falar de Filosofia até se poderá considerar normal.

Apreciei o conto tal como ele foi escrito, mas claro que todas estas questões e falta de respostas me deixaram curioso e compreendo que para leitores mais curiosos isto pode ser razão suficiente para considerar que as suas expectativas não foram correspondidas. À laia de desculpa em favor do autor será conveniente mencionar que este conto (também) foi editado no Almanaque Steampunk 2012 da Clockwork Portugal e que tal com no conto Z (ver aqui a opinião) a falta de espaço poderá ter sido decisiva para o mesmo ter este "aspecto".



Este conto pode ser encontrado no site Smashwords em Português neste link: Coração Atómico de Manuel Alves ou em Inglês neste: Atomic Heart by Manuel Alves

terça-feira, 9 de abril de 2013

Opinião - Legado Vermelho de Manuel Alves



Legado Vermelho é uma daquelas histórias que se vai tornando cada vez mais interessante à medida que vamos avançando, não querendo isto dizer que tenha um começo fraco, muito pelo contrário. Não quero estragar a história, e por isso mesmo é difícil escrever sem revelar algo crucial, mas vou tentar. Existe uma série de narrativas paralelas e a verdade é que se torna difícil saber qual a "principal"  e quais as "complementares", no final somos confrontados com o facto de que eram todas principais e  que se complementavam.
Somos confrontados com um planeta que está passar por convulsões tectónicas quando aparecem Dragões, animais que se pensavam estarem reservados à mitologia e imaginação, mas o seu aparecimento pode não trazer nada de bom. Conhecemos um pai e os seus dois filhos, o mais velho é o  mais parecido consigo, inteligente e pragmático e o mais novo, também inteligente, mas um sonhador, e claro o relacionamento entre pai e filhos e entre irmãos. Sofremos com as decisões com que a personagem nas suas facetas de Pai e Cientista é obrigado a tomar. A reviravolta no final, literalmente no final, dá toda uma nova dimensão ao conto e é impossível não  pensarmos "enganou-me bem!" e ainda bem acrescentaria eu.

O autor soube (mais uma vez) criar uma boa história que promove a interacção e contribui para envolver o leitor e mostra mais uma vez todo o potencial de alguém que vai longe, se se dedicar com afinco à escrita.


Este conto pode ser encontrado no site do Smashwords em Português neste link Legado Vermelho de Manuel Alves ou em Inglês neste link Red Legacy by Manuel Alves

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Opinião - Z de Manuel Alves


Z foi a minha porta de entra para os Mundos do Manuel Alves.

O conto narra a história de uma adolescente que foi criado geneticamente e que faz parte de um conjunto de 26 que receberam como nomes as letras do alfabeto, Z é o último, quer na letra que lhe dá o nome quer no facto de ser literalmente o último que ainda está vivo, ou quase... O cenário é uma instalação onde Z é educado e onde pretendem tirar partido das suas capacidades (bem) acima da média, mas Z tem outros planos...

A temática não é nova, nem a história traz propriamente novidades, mas Manuel Alves consegue sobressair-se pela narrativa, com uma escrita limpa e que desliza sem se prender, passando pela maneira como constrói as personagens, ao sentido de humor tudo contribui para que fiquemos presos à história. Embora existam alguns problemas de coerência  lógica e/ou lacunas de informação, que o próprio autor  reconhece, sendo a justificação para elas, o limite de palavras (este conto participou numa Antologia e portanto não se pôde alongar como queria) e que outras explicações precisam de mais texto, pessoalmente não achei que estes problemas me tivessem impedido de apreciar a historia, mas tenho de reconhecer que outras pessoas "encravam" com isso.

Embora funcione bem como uma história fechada o autor já afirmou que pretende escrever uma "versão" mais longa em três partes (poderão encontrar aqui um "cheirinho"), e se for tão boa como o conto (já com os problemas resolvidos, claro) então podemos estar na presença de, quem sabe, um futuro clássico da FC nacional, mas não vamos colocar a "carroça à frente dos bois" e esperar para ver...

Este conto (também) faz parte da Antologia de Ficção Científica do Fantasporto organizada pelo Rogério Ribeiro e editado pela editora Asa na colecção 1001 Mundos.




Este conto pode ser encontrado no site Smashwords em Português neste link: Z de Manuel Alves ou em Inglês neste Z by Manuel Alves

domingo, 7 de abril de 2013

Promoção da semana: Manuel Alves



Durante esta semana vou fazer uma espécie de "campanha/promoção" da obra de um jovem autor chamado Manuel Alves, dando à estampa uma opinião por dia de (quase) toda a sua obra, ainda não sei se terminarei a tempo o seu ultimo livro (e-book), "Perguntas-me?". Convenhamos a sua obra (ainda) não é assim tão grande, mas revela já uma grande potencial. Tudo o que publicou foi em e-book, mas dois contos já tiveram direito a serem incluídos em duas antologias. No final irei fazer um "apanhado da situação". Para os que quiserem começar a descobrir desde já a obra deste autor, podem descarregar, para já de modo grátis, no site Smahswords a obra de Manuel Alves.

PS: Apesar do que possa eventualmente parece esta minha "acção de promoção" nada tem a ver com o passatempo lançado pelo autor (por exemplo) no Forum Bang, tudo não passou de uma coincidência.

quinta-feira, 4 de abril de 2013

Opinião - O Fim da Era da Razão de Liliana Morais



O Fim da Era da Razão é um conto de Liliana Morais que pretende reviver os ambientes de 1984 de George Orwell e Fahrenheit 451 de Ray Bradbury, mas o resultado, bem...

A historia é sobre um mundo em que os livros vão sendo banidos pelos Governos com cada vez mais violência. O personagem principal é um jovem de 18 anos chamado Manuel que se vê na posse da biblioteca do seu avó depois deste ter sido preso por não ter registado e não ter revelado os seus livros. Manuel acaba por se juntar a uma resistência, etc e etc.

O problema não foi a autora ter pegado numa temática já tão "batida". Não foi a primeira e nem será com certeza a ultima vez. Muitos são os autores que dão o seu contributo sobre este ou outros temas, mas o que difere é que alguns conseguem dar-nos uma nova perspectiva, o que não é o caso, bem longe disso.

O problemas não foi ela não ter trazido algo de novo sobre este tipo de distopias, isso até podia ter sido "ignorado" desde que a historia estive bem escrita. Podia estar aqui a dizer que "a autora Liliana Novais não acrescente nada de novo ao sub- género  mas a sua escrita cativa" ou algo deste tipo, mas isso não aconteceu, muito pelo contrario. 

O que aconteceu foi uma historia que além de não trazer nada de novo a este sub género, estava escrita num "tom" (quase) de quem está a escrever pela primeira vez algo, o que não é a realidade (como se pode ver pelo seu perfil no Smashwords), e mesmo que fosse. O que a autora faz é basicamente debitar informação sobre o que se vai passando de um modo quase infantil e uni-dimensional.  Uni-dimensional é também a sua personagem principal. O conto é (quase) uma colecção de clichés "colados" uns aos outros de um modo atabalhoado, desde o rapto do avó até à queima dos livros no final. Mais uma vez o problema não foi o facto de ela utilizar clichés, mas o modo como o fez. A historia nada avança, nada revela sobre as personagens, nada diz a não ser aquele debitar de informação já visto noutros livros. 

Mesmo a revisora Sara Farinha deixou passar, pelo menos um erro ortográfico na pagina 7:

"... como uma vela que se estingue..."

E parece-me que também alguma pontuação mal colocada. Deixarei que cada um julgue a gravidade do(s) erro(s).

Gostava de dizer algo de positivo sobre este conto, mas a verdade é que não é possível. Não conheço os outros trabalhos desta autora, mas este não devia ter saído da gaveta, pelo menos como está.

Deixo o meu conselho à Liliana se for o teu desejo  continuar na escrita, e parece ser, que sejas a tua primeira critica, que revejas os manuscritos com calma, e claro que antes dos publicar os deixe na gaveta uns bons tempos e que os voltes ler depois já com outros olhos. Existem outros conselhos, mas acho que estes são os básicos.

Espero em breve voltar a ler algo teu.

Este conto pode ser encontrado no site do Smashwords neste link: O Fim da Era da Razão de Liliana Morais

quarta-feira, 3 de abril de 2013

Selos e agradecimentos

Tenho estado em divida para com algumas pessoas e aqui estou hoje a tentar compensa-lo. Em primeiro deixa-me apresenta-los:

O amigo Fiacha do blog As Leituras do Corvo Fiacha
A Nádia Batista do blog Eu e o Bam
E a Amanda Trindade do blog Amanda, a menina e o vento: livros, músicas filmes e reflexões

Estes quatro colegas bloggers deram-me uns selos e distinções, bem sei que traziam atrás algumas "obrigações", mas eu, apesar de ter tentado, nunca consegui terminar (e tentei), mas essas coisas não são para mim, na minha opinião a melhor distinção que podem me podem dar é vir cá e participar sempre que achem que o post merece. 


Fica aos quatro o meu obrigado não só pela atenção dispensado ao meu blog, mas também pelo facto de acharem que o meu blog é merecedor.

terça-feira, 2 de abril de 2013

Opinião - A Scanner Darkly de Philip K. Dick


A Scanner Darkly de Philip K. Dick foi um livro que me deu grande prazer ler.

A historia inicia-se num tom de paranóia que irá estender-se por todo o livro. No primeiro capitulo temos uma amostra dos efeitos de uma droga chamada Substancia D, o D refere-se a Death (Morte em Inglês).

Todos os departamentos das autoridade, quer locais quer federais e mesmo do governo, estão (provavelmente) minados pelo produtores da droga e para combater estes flagelos, a droga e os infiltrados, aos agentes infiltrados é dado um aparelho que lhes permite ocultar a sua identidade de todos, mesmo dos seus superiores. É então que se dá o paradoxo de Fred, nome de código pelo qual responde, no decorrer da sua actividade de agente infiltrado, passar a investigar um traficante de droga chamado  Bob Arctor, que é nem mais nem menos que ele próprio. Não pode simplesmente dizer aos seus superiores quem ele é, portanto segue com as ordens, mas fossem as coisas assim tão simples...
O caso complica-se porque no seu papel de drogado ele vai mais longe e torna-se o objecto que deveria investigar: um drogado viciado em Substancia D. A Substancia D é uma droga que como tantas outras é mais terrível, não pelas mortes que causa, mas pelas sequelas que deixa, seja elas físicas, mas principalmente nas psicológicas (e/ou emocionais como preferirem) quer nos drogados quer nos que lhes são próximos. E é esta uma das principais, se não mesmo a principal mensagem do livro; todas as nossas decisões tem consequências.
Vamos assistindo a um homem que, sob o efeito da droga, se vai tornando duas pessoas independentes: Fred o homem da lei que vigia e Bob Arctor o drogado que é vigiado. É uma situação cómico-trágica com ênfase na tragédia.
É um livro magnificamente escrito que sem cenas de acção vive de grandes momentos de drama psicológico, mas sem que se notem de imediato, aliás as vezes parecem cenas quase sem sentido, mas o sentido está lá, acreditem e ao longo do tempo vai-se "entranhando". Fui pensando no que ia lendo e comecei a ver, mais uma vez, a grandiosidade do Philip K. Dick.

A minha edição tinha no final uma nota do autor que "ilumina" ainda mais o significado deste livro, e que me fez pensar ainda mais sobre o que tinha lido e me fez adorar ainda mais este livro em que ele faz uma homenagem aos seus amigos, o que morreram e os que ficaram incapacitados pelas drogas.

Este é um livro de Ficção Científica, mas apenas a utiliza para  dar realce a alguns aspectos, não vive dela. Classifica-lo também poderá revelar-se complexo, pois se a classificação geral de Ficção Científica não deixa duvidas, ir um pouco mais além e coloca-lo numa da inúmeras sub-categorias já é mais complicado, mas um Distopia não me soa mal, mas deixa espaço para outras, mas isto sou que gosto de "arrumar". No fundo o que interessa é se o livro é bom e este é excelente.
A Scanner Darkly de Philip K. Dick é mais do que uma mera historia, é uma confissão, um desabafo e uma homenagem.

Felizmente chegou a existir uma edição em Português com o titulo "O Homem Duplo" na colecção Argonauta, n.º 316, da editora Livros do Brasil. Infelizmente à muito esgotada e apenas existem em algum alfarrabista.
Capa da edição Portuguesa: O Homem Duplo

Mais recentemente este livro teve direito a ser incluído na colecção SF Masterworks.





Este livro teve direito a uma adaptação em 2006 com um elenco bastante bom, com actores como Keanu Reeves, no papel principal, Robert Downey Jr., Woody Harrelson e Winona Ryder. Podem ler no blog Viagem a Andromeda a opinião do João Campos, e ver o trailer de A Scanner Darkly.

Podem encontrar mais algumas informações sobre o livro na paginas da Wikipédia aqui em inglês.