domingo, 13 de Janeiro de 2013

Opinião - A Oeste do Éden de Harry Harrison

A Oeste do Éden de Harry Harrison foi originalmente publicado em 1984 e neste cantinho à beira-mar plantado em 1986 na (curta) colecção Contacto (Gradiva) dirigida pelo João Barreiros (embora a minha seja uma 2.º edição de 2005).
Que não existam duvidas este é um livro de Ficção Científica, mas também de Historia Alternativa e neste aspecto é bastante ambicioso. Ao invés de se deixar limitar à (curta) Historia da Humanidade e das consequências que um acontecimento (ou a falta dele) tiveram, Harry Harrison pensa em grande e não se deixa prender e vai à Historia do próprio planeta Terra e pergunta "E se o cataclismo que extingui-o os dinossauros à  65 milhões de anos nunca tivesse acontecido? E se os dinossauros tivessem evoluído ao mesmo tempo que os humanos, mas separados geograficamente? O que aconteceria quando se encontrassem?". Estas são as perguntas, e as respostas são deveras muito interessantes.
O "pano de fundo" é o encontro, num inicio de uma era glaciar, entre uma Humanidade ainda na Idade da Pedra e uma raça de dinossauros inteligentes chamados Yilanè, ambos movidos pela necessidade da sobrevivencia. Ora como se pode imaginar a "coisa" não corre do melhor modo, pois ambas as raças tem um instintivo ódio mutuo.
O personagem principal é Kerrick, um humano, ou Tanu na sua linguagem, que é capturado pelas  Yilanè com a idade de 8 anos e que acaba por aprender a sua linguagem e torna-se num membro da sua sociedade. Um dos eixos da narrativa durante boa parte do livro são os sentimentos contraditórios de Kerrick, indo da lealdade para com o seu povo, a essa pergunta existencial de quem é ele afinal? Tanu ou Yilanè, e que alimenta de forma interessante esta historia, pois à medida que ele cresce também vai  adquirindo experiência e pensando. Existem outras personagens dignas de destaque como Vaintè a eistaa, a lider da nova cidade Yilanè, e que tem uma relação contraditória com  Kerrick, Stallan uma caçadora Yilanè que odeia todos os Tanu, e claro Enge uma Yilandè que muito diferente das outras da sua raça, mas não só claro.
Um aviso para os mais "malandros", ao inicio o autor "atira-nos" com muitos termos estranhos, como são exemplo os que aqui coloquei, e o recurso ao dicionário no fim do livro acaba por ser (quase) obrigatório  o que quebra o ritmo de leitura, mas ao final de algumas paginas já nos habituamos e deixamos de o fazer.
Harry Harrison aborda aqui vasto temas e todos eles de interessa como a xenofobia, a força dos laços de sangue, a nossa capacidade de adaptação a novos ambientes, a biotecnologia, etc, etc, tudo embrulhado numa magnifica historia que eu só posso aconselhar que todos leiam.
Receio que eu não consiga fazer jus ao livro, mas se o lerem saberão o que as minhas parcas palavras pretenderam dizer.



Acrescento apenas que este é o primeiro livro de uma trilogia que infelizmente por cá ficou por aqui, embora se leia sem que isso se note, portanto nada de desculpas, até porque ele está bem barato...

5 comentários:

  1. Olá Dragão Negro,

    Pena este livro ser de um escritor americano, pois como já te disse este ano pretendo ler livros de escritores de nacionalidades diferentes e para americanos até já tenho dois um em fantasia e outro em romance histórico, mas gostei bastante de ler a tua critica e fiquei bastante curioso.

    Lembro-me que o comprei baratinho na feira do livro de Lisboa :D

    Abraço

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  2. Amigo Fiacha olha que estás a passar ao lado de um grande livro, pensa nisso.

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    1. Ois

      Não posso ficar indiferente a este comentário, fica para ler este ano então ;)

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  3. *Oeste do Éden* é o que alguns estudiosos classificam como "história natural alternativa".

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  4. Em primeiro lugar deixe-me dar-lhe as boas vindas ao meu blog e permita-me agradecer o seu comentário. Espero dar-lhe mais e boas razão para ter cá tão ilustre pessoa.

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