quarta-feira, 19 de abril de 2017

Opinião - A Arca de Joel G. Gomes




O Joel fez-me chegar este primeiro episódio da série "O Mal Humano", ainda em dois mil e dezasseis. Terminei as leituras que andava a fazer, imprimi a história (porque se puder ler em papel acho preferível a fazê-lo num ecrã) e, claro, li-a, sabendo que ainda tinha algum tempo até ao lançamento oficial e queria fazer coincidir a publicação da minha opinião com a estreia desta série.

O lançamento ocorreu em Janeiro, mas no inicio desse mês tinha morrido uma das pessoas mais queridas da minha vida. Coincidência ou não é precisamente sobre isso, a Morte, que fala esta história, mais especificamente sobre a nossa incapacidade de aceitarmos que aquele pessoa, por quem tínhamos tanto afecto, morreu e que agora precisamos prosseguir com a nossa vida. A Morte é o acontecimento mais natural e definitivamente o mais absoluto que iremos viver e a incapacidade de conseguirmos aceita-la e continuarmos tem consequenciais nefastas, quer para nós quer para quem nos rodeia. É precisamente estas consequenciais que o Joel explora neste episódio zero de "O Mal Humano".

Rui Alves é um jovem de vinte anos que perdeu os seus pais recentemente, mas que não foi capaz de seguir com a sua vida. Descobre que existe alguém que o pode reunir novamente com eles: Valter Braz. O Valter Braz é o guardião da Arca, e é quem permite a sua utilização, mas também ele sofreu uma perda: a sua esposa e como já devem ter adivinhado também ele não conseguiu seguir com a sua vida. A utilização da Arca implica seguir regras: existe um limite de tempo para a sua utilização e o seu guardião não a pode utilizar. Mas o luto é um sentimento poderoso, que nos leva a tomar decisões (muito) pouco racionais sem pensar nas consequências.  E o melhor é parar por aqui antes que revele mais do que devo e estrague o prazer da leitura aos futuros leitores.

Este episódio zero (da temporada zero) é a porta de entrada para esta nova série literária do Joel (e da qual já podem encontrar disponíveis os episódios um e dois). Para quem já conhece a escrita do autor, ela aparece aqui (ainda) mais afinada. Gostei da forma como o Joel abordou esta questão e da pitada de humor que lá conseguiu introduzir, em especial a arca que não é a arca que eu estava à espera, mas que me deixou com um sorriso nos lábios. 


Podem encontrar mais informações sobre o autor na sua pagina em Joel G. Gomes e sobre esta série literária em especifico e dos muitos locais onde a podem adquirir em: O Mal Humano

Joel G. Gomes é já um "velho" conhecido deste blog e o seu regresso, em especial com projectos como este, é sempre bem-vindo.

segunda-feira, 17 de abril de 2017

Opinião - Carnívora de Manuel Alves




Eis o Manuel de volta aos contos de Ficção Científica! E ainda bem.

A Carnívora é uma história temporal e geograficamente bem delimitada: um laboratório, secreto claro. Mas as consequências do que se lá vai passar irá levar-nos muito para lá das suas paredes e vamos ser "transportados" no tempo muito para atrás e ter um vislumbre de um possível futuro e garanto que não é propriamente agradável. 

Como é habitual não se poder contar muito sem correr o risco de dizer o que não se deve e assim estragar o prazer da descoberta. Posso dizer (acho) que as coisas não são o que parecem, mas à medida que vamos progredindo na leitura tudo ficará claro. 

Este é um conto que nos deixa a querer saber mais, mas que não nos deixa sem respostas. Não vamos ficar "pendurados" com muitas perguntas e poucas ou nenhumas respostas, mas antes a querer mais devido, precisamente, ao que sabemos.

Mais uma vez o Manuel não desilude e volta a mostra porque é um dos melhores novos autores no panorama nacional.


Este conto poder ser encontrado no site Smashwords no link: Carnívora de Manuel Alves

sexta-feira, 14 de abril de 2017

Opinião - A Cativa de Manuel Alves



Depois de nos ter dado alguns excelentes contos nos géneros da Ficção Cientifica e da Fantasia o Manuel finalmente presenteia os seus leitores com o seu primeiro, e atrevo-me a dizer muito aguardado, romance no género da Fantasia (ou nas palavras do autor: um "calhamaço" o que também não deixar de ser uma boa descrição). Este é o primeiro de uma saga, uma saga  que tem o nome do seu personagem principal: Wulfric, o inigualável Wulfric. Como o descrever? Wulfric é um personagem misterioso e complexo e do qual pouco se sabe, mas o que se sabe apenas aguça a curiosidade em saber mais. Vamos descobrir, por exemplo, que tem uma agenda própria e que não olhará a meios ou a pessoas para atingir o que pretende. Sabemos que é poderoso, mas o seu poder não advém de uma qualquer capacidade extraordinária para a "magia" (atenção às aspas), mas mais a de alguém que tem uma vasta experiência e que faz uso dela para se antecipar aos seus adversários. É um personagem que sofreu bastante e isso sente-se em tudo o que faz de bom e mau. 

O Manuel soube criar um conjunto de personagens apelativas e interessantes que em nenhum momento nos deixam indiferentes, mesmos as segundarias como Desaad (não consigo deixar de sorrir ao pensar nele). Soube também equilibrar os momentos de acção (e que não são poucos) com os momentos calmos. Num livro com uma mitologia baseada em algo que nos é relativamente familiar como a Judaico-Cristã ele soube juntar o já conhecido com o novo (entenda-se os pormenores da sua criação que dão a consistência e um toque exótico a este mundo).  E soube transmitir ao leitor o novo e principalmente o velho sem ser enfadonho, mascarando esses "infodumps" em conversas tidas em ambiente ou tensos ou calmos, mas em que sentimos sempre a sua importância presente e futura. 

Como primeiro livro de uma saga ficam, como não podia deixar de ser, as habituais "pontas soltas" que me deixaram (e deixariam qualquer um) ansioso pelo(s) próximo(s) volume(s). 

Num nota extra informo que fui, como muito orgulho e prazer, leitor beta deste livro. Não irei explanar esta questão. Não direi que este livro tem um pouco de mim lá dentro, sou arrogante, mas nem tanto, mas simplesmente que ajudei, juntamente com os outros leitores beta, a moldar (um pouco) a sua estrutura narrativa, só e apenas, o "resto" é o trabalho puro e duro do Manuel. 

Por fim resta-me pedir desculpa ao Manuel e ao caro leitor por não conseguir fazer jus a este incrível livro (e por só agora publicar a minha opinião). Por não conseguir colocar no metafórico papel todo o que senti e que gostava de transmitir ao caro leitor para que ele se sinta tentado (pelo menos) a ler esta magnifica obra. 


Este livro pode e deve ser encontrado no site Smashwords neste link: A Cativa de Manuel Alves

domingo, 1 de janeiro de 2017

O Ano começa na Galxmente do Mal Humano


Foi um final de ano complicado e um inicio ainda pior, mas felizmente tenho os livros, portais para outros mundos onde as preocupações deste desaparecem, nem que seja por breves momentos ou pelo menos diminuem.
Este ano começa com muitos autores portugueses e o primeiro deles vai ser o Luís Filipe Silva e seu Galxmente. Este livro foi originalmente publicado na colecção de Ficção Cientifica da Caminho em dois volumes, devido a restrições de enquadramento de tamanho na colecção.



 A segunda leitura e que ocorrerá ao mesmo tempo, será uma nova serie literária de Joel G. Gomes: "O Mal Humano". Este episódio, número zero, tem o titulo de "A Arca" e serve de apresentação a  este seu novo projecto.



Mais leituras de (bons) autores Portugueses e estrangeiros se seguiram e a pilha já faz sombra sobre mim. 

Apesar da dura realidade não me faltam mundos para onde escapar. Um bom ano a todos.

terça-feira, 15 de novembro de 2016

Opinião - Terra Fria de Manuel Alves



Terra Fria é uma história de coragem, saudade e sacrifício. É uma história de ódio, perdão e redenção. É uma história de personagens fictícias, mas paradoxalmente de pessoas verdadeiras e histórias reais que ao mesmo tempo se querem esquecer mas que precisam de ser lembradas. Este é (mais) um livro onde o Manuel volta a surpreender com a sua escrita simples, mas cheia de significado e acima de tudo de sentimentos e emoções. O Manuel pertence a esse rarefeito estrato de escritores que são capazes de nos emocionar com cada palavra. Num momento estamos a rir no seguinte a chorar e logo a seguir a gritar com as páginas prenhes de emoção com esta personagem ou aquela situação. Isto é o Manuel Alves e "Terra Fria" (mais) um bom exemplo da sua escrita. Mas como falar de um livro que não se meramente lê, mas acima de tudo se sente? Descrever desapaixonadamente a história não é maneira de o honrar, mas tentar igualar as emoções que ele transmite é missão (quase) impossível. Resta-me tentar sabendo que o mais certo é falhar, mas antes "morrer" a tentar do que nem sequer arriscar. 

"Terra Fria" tem o seu prólogo e o seu epílogo nos nossos dias, mas a sua história decorre nos dias negros da ditadura do Estado Novo, um período da nossa História recente que muitos de nós (infelizmente) desconhecem quase por completo. E é ao mesmo tempo que nos dá uma lição de História que o Manuel Alves tece a sua magia ilustrando o dia-a-dia das pessoas comuns desses dias e o que lhes acontecia se tivessem o azar de se cruzar com a essa negra instituição que foi a PIDE.

O Manuel brinda-nos com com uma galeria de personagem reais e apelativas. Esmeralda, personagem principal, mulher, esposa e mãe. Ela é ao mesmo tempo a vitima e a agressora, num ambiguidade estranha e lógica de mulher forte que não se deixa vergar pelas adversidades do destino. Hilário, um personagem trágica e pela qual eu não consigo deixar de nutrir simpatia, é me impossível não o fazer. A sua cruz é de ter cometido apenas um erro: amar. É esse amor que o leva a ser vitima do destino que esse amor lhe traça. Ao mesmo tempo que acho triste o que lhe acontece, não consigo deixar de dar (também) razão a quem o odeia e o despreza, porque os sentimentos são assim mesmo ficam connosco e a emoção sobrepõe-se (quase) sempre à razão. Silvério o homem que vive duas vezes. A primeira vida dada pela sua mãe e a segunda vida dada pela Esmeralda. 

A Aida a vilã e como qualquer boa vilã, é em muitos aspetos a antítese da heroína, mas ao mesmo tempo partilha com ela igualmente muitas características como serem ambas incapazes de perdoar facilmente ou de esquecer o passado. Quando conheci, pela primeira vez, a Aida pensei que ela fosse uma excentricidade do autor, uma liberdade criativa para dar a Esmeralda uma inimiga à sua altura. Pensava eu, na mais pura das ignorâncias, que uma mulher agente da PIDE fosse algo que nunca tivesse existido, algo apenas possível num universo alternativo mas estava enganado. Ao procurar encontrei uma tão má, senão pior que a Aida, como puderam ler neste artigo da revista Sábado: "A mulher mais violenta que trabalhou na PIDE". 

Diria, para rematar, que este foi mais um excelente livro que o Manuel me deu o prazer de ler, mas acho que isso já ficou patente.

Só um apontamento final para dizer que este livro, apesar de ser em formato digital, está autografado com aquele que é provavelmente o melhor autografo que alguma vez me dedicaram e que (muito) dificilmente me irão dedicar um melhor. E é com orgulho que partilho convosco:
Para o Marco um leitor que me apresentou leitores
Agradeço a generosidade Manuel e espero continuar a promover o teu trabalho a novos e velhos leitores.

Este livro pode e deve ser encontrado no Smashwords no link: Terra Fria de Manuel Alves

domingo, 13 de novembro de 2016

Manuel Alves, outra vez...



Já o disse e volto a repetir: sou um fã, um apreciador da escrita do Manuel Alves. Será portanto difícil (impossível?) justificar um tão prolongado silencio neste blog sobre o que ele andou a fazer nos quase três anos deste que o seu nome foi mencionado pela última vez. Esta falha deve-se em exclusivo a mim porque o Manuel continuou a escrever. Mais grave ainda, para mim, foi o facto de ter sido um dos leitores Beta de um dos romances que ele publicou neste meu hiato: "A Cativa". Ainda antes deste eu cheguei a divulgar e a prometer a minha opinião do seu, na altura, recente romance "Terra Fria". Não irei tentar desculpar-me (muito). "Terra Fria" foi publicada nos idos de Fevereiro de dois mil e catorze. Na altura o romance "Terra Fria" foi alvo de uma leitura conjunta num grupo em que participo no Facebook. Muitos foram os bloggers que participaram e deram a sua opinião (positiva). Face a tantas opiniões e consequente publicidade, muito merecida ao livro e ao Manuel, achei por bem deixar a minha opinião para um momento mais oportuno em que recordaria, novamente, o livro e o seu autor. Acontece que o Tempo passa e nós nem damos conta e assim cá estamos quase três anos depois. Neste Tempo o Manuel publicou mais um livro: "A Cativa" e um conto: "Carnívora", dos quais darei a minha opinião nos próximos dias.

Se existiu algo de bom no meio disto tudo foi o facto de me ter visto na "obrigação" de ler mais uma vez os livros do Manuel. Outra boa noticia é que estamos nas vésperas do lançamento de mais um romance seu (assim que tiver mais noticias eu aviso). Portanto aproveito o meu lapso para dar a noticia e ao mesmo tempo recordar, mais uma vez porque nunca é demais, a excelente obra do Manuel e assim convidar os seus fieis leitores a redescobrir o seu trabalho e quem sabe aliciar novos leitores. Portanto nos próximos dias este blog  irá mais uma vez a exaltar o extraordinário trabalho do Manuel Alves.

domingo, 6 de novembro de 2016

Opinião - As Primeiras Quinze Vidas de Harry August de Claire North

Quando o meu bom amigo Fiacha disse que iria ler "As Primeiras Quinze Vidas de Harry August" da escritora Claire North eu achei que era a desculpa perfeita (e sim às vezes precisamos de uma boa desculpa) para também eu ler e assim darmos (quase ao mesmo tempo) a opinião sobre o mesmo livro.



"As Primeiras Quinze Vidas de Harry August" da escritora Claire North é um daqueles livros deliciosamente estranhos O título diz ao que vem e não é uma metáfora qualquer sobre uma vida parecer muitas, não, aqui vamos mesmo conhecer um tipo que vive (pelo menos) quinze vidas e o seu nome é August, Harry August (não consegui evitar a piada e além disso numa das suas vidas ele foi um agente secreto, portanto estava mesmo a pedi-las). O Harry faz parte de uma raça (acho que podemos pensar assim) de pessoas, os Kalachakras ou Ouroborianos, que quando morrem renascem novamente para a mesma vida, mas com as memórias das suas vidas anteriores intactas. O conceito não é propriamente novo, mas a maneira como a Claire North (um do pseudónimos de Catherine Webb) trata o assunto é realmente de louvar.
A narrativa é feita na primeira pessoa pela voz do Harry August e é ele que nos vai guiar pelos prazeres e dissabores, porque isto de viver muitas vidas não é só pontos positivos em especial para quem nasceu em mil novecentos e dezanove (como o galo), de quem retorna ao ponto de partida de cada vez que morre. Só isto seria só por si suficiente para termos um livro interessante, mas a sua autora vai um passo mais longe e junta um vilão ou será um antagonista, ou outro adjectivo que me falta? O facto de não ter a certeza (muito longe disso) de qual o melhor termo para descrevo-lo já diz muito sobre a complexidade da história o que eleva este livro a um patamar ainda maior. Só para vos dar uma ideia desta complexidade quando começam a ler o livro não dão por isso. Confusos? Pois eu também fiquei. Percebo agora, mas foi preciso ter chegado ao fim, mesmo ao fim, do livro para perceber. É Ouroboros a serpente que morde a própria cauda (sim sim, aqui o menino saber consultar a Wikipedia).

Como podem já ter lido na contra capa ou no site da Saída de Emergência tudo começa "aquando da sua décima primeira morte, com a visita de uma menina que lhe traz uma mensagem: o fim do mundo aproxima-se". Pessoalmente acho que este evento é mais um catalisador do que o começo, mas também não vou ser picuinhas. Ora isto só poder estar a acontecer porque um Kalachakra se está a portar muito mal e anda a alterar o normal desenvolvimento da história e como vamos descobrir existem precedentes do quanto isto pode ser perigoso. Não vou e nem quero estar aqui a estragar-vos a história revelando alguns dos pontos de interesse da mesma. Será suficiente dizer que esta foi uma leitura que me deu muito gosto. Tanto assim foi que para mais rapidamente avançar (e também para vencer o Fiacha...) li em português (e em formato fisico) em casa, e fora de casa em inglês em formato digital no telemóvel, aproveitando assim todos os momentos possíveis. 


Para não dizerem que só disse bem do livro aqui fica uma "coisa" que eu acho que irá "afastar" alguns leitores: as divagações de Harry August. A narrativa não é exactamente linear, bem mais ou menos. Começamos no ponto A e terminamos no ponto Z, mas para lá chegar andamos um bocadinho aos saltos, ao sabor das marés da memória do Harry. Tudo fará sentido, mas sabendo que muitos leitores não gostam deste tipo de "artimanhas" narrativas deixo já o aviso. Apesar de pessoalmente gostar deste tipo de "truque" narrativo, achei que existiram momentos em que eles não eram necessários. Apesar de enriquecerem a história, no seu todo travam o embalo da narrativa, como se fossemos num carro que alterna a aceleração com travagem bruscas para irmos devagar (esta analogia não me saiu bem, mas vocês perceberam).


Capa da Edição da colecção Admiráveis Mundos da Ficção Científica 

E agora um pequeno apontamento sobre as edições. Ao contrário da edição "oficial"  da Saída de Emergência e que é a edição do Fiacha (e da qual podem ver a capa logo no topo deste texto) a minha edição foi integrada na colecção Admiráveis Mundos da Ficção Científica fruto de uma parceria entre a SdE e o jornal Público e que foi publicada em Abril deste ano, e aquando da saida, este livro era o único inédito da colecção. Para além de uma capa diferente esta edição conta ainda com um magnifico prefácio da Inês Botelho e um posfácio do Nuno Galopim que, a julgar pelo excerto no site da Saída de Emergência, também está presente na edição "oficial" o que é uma mais valia.

Em jeito de conclusão este é um extraordinário livro e que merece sem sombra de dúvida a vossa atenção e tem o selo de aprovação do João Barreiros. Dúvidas? Não há nem pode haver.

Título - As Primeiras Quinze Vidas de Harry August
Autor - Claire North
Colecção - Bang! n.º 242
Editora - Saída de Emergência
Tradutor - Casimiro da Piedade